Em 2021, a consultoria McKinsey publicou um estudo dizendo que, daqui pra frente, os colaboradores de qualquer empresa precisariam de soft skills que os ajudassem a:

  • Gerar valor além do que pode ser feito por uma máquina
  • Trabalhar com conforto em um ambiente digital
  • Se adaptar a novas funções e maneiras de trabalhar

O estudo vai além e divide essas habilidades entre cognitivas, interpessoais, digitais e de autoliderança: 

Soft skills

Mas entre tantas competências, como saber por onde começar a desenvolvê-las? E quais têm mais impacto em cada departamento da empresa?

Pensando nisso, preparamos um guia explicando quais soft skills você mais precisa fortalecer nas áreas de:

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Soft Skills para a área de Tecnologia

A área de tecnologia é muito próxima da inovação. Esse contato constante com o amanhã significa que as hard skills desses profissionais podem se defasar com mais facilidade. 

Por isso, é preciso estimular algumas habilidades que têm mais durabilidade e grande impacto no desempenho desses times. Veja só quais são: 

 

System Thinking 

O System Thinking é a habilidade de analisar um cenário como um todo e também saber enxergar seus detalhes - como um grande sistema e suas partes.

É fato que o profissional de tecnologia precisa pensar em processos, eventos e gatilhos, mas o System Thinking os ajuda a entenderem os problemas do negócio (a big picture) e encontrarem soluções na tecnologia para eles (o detalhe). 

O inverso também é verdade. Ter essa visão sistêmica, onde tudo está conectado, faz com que o profissional saiba a importância de ligar até mesmo pequenas tarefas, como analisar alguns dados, aos objetivos da empresa e basear cada decisão nesse norte. 

 

Mentalidade Focada no Consumidor

Da compra do jantar à reserva das férias dos sonhos, as pessoas querem que a tecnologia seja cada vez mais intuitiva e resolva seus problemas com facilidade.

Por isso, desenvolver uma mentalidade focada no consumidor é uma soft skill fundamental para que o profissional de tecnologia consiga entender essas necessidades e manter seu foco nelas. 

Assim, ele conseguirá construir soluções que realmente satisfaçam o público, esteja esse público no mercado ou mesmo dentro da empresa. 

 

Antifragilidade

No início da pandemia, os profissionais de tecnologia do mundo todo precisaram lidar com um cenário caótico. Caiu sobre eles a responsabilidade da migração para o home office e de buscar soluções para que as empresas continuassem funcionando.

Nesse sentido, a antifragilidade foi (e está sendo) uma soft skill essencial para que eles conseguissem segurar as pontas e prosperar em meio a tantas mudanças.

Uma pessoa com essa habilidade não apenas se adapta a cenários mais desordenados, mas emerge deles como um profissional melhor. 

Como o mundo está em constante mudança, principalmente no que diz respeito à tecnologia, é importante que a área tenha a habilidade de ver esse cenário como o normal e saiba tirar proveito do imprevisível. 

 

Comunicação

Cada área tem seus termos técnicos - com a de tecnologia, não é diferente.

Mas dado o papel central dela nas empresas, os profissionais do departamento precisam saber ouvir e ajustar suas falas para se comunicarem bem com as pessoas que entendem e que não entendem de tecnologia. 

Afinal, palavras que soam naturais para uma área, podem ser totalmente estrangeiras para outra. 

E nivelar essa comunicação é ainda mais importante no momento de apresentar um relatório, problema ou solução, onde precisamos argumentar um ponto com clareza.

Na prática, estamos falando de ajustes simples, como saber quando usar a palavra “CAPEX” e quando falar “investimento em equipamentos.”

Soft skills para a área de tecnologia

Soft skills para a área de Marketing

O time de marketing lida muito com a natureza humanaIsso significa que algumas soft skills se tornam quase hard skills - já que também podem ser aplicadas em tarefas táticas, como a criação de uma campanha. 

Além da criatividade, veja quais são as habilidades comportamentais necessárias para essa equipe ter sempre um ótimo desempenho.

 

Storytelling

O storytelling é a habilidade de contar histórias de uma forma clara, impactante, que nos deixa vidrados nos acontecimentos até o final.   

Como profissionais de marketing estão sempre em busca da aprovação de campanhas ou verba, ele surge como uma técnica interessante para que eles consigam fazer apresentações mais convincentes, por exemplo.

Saber construir uma narrativa com começo, meio e fim também ajuda o marketing a entender a jornada dos clientes da empresa e criar estratégias de acordo, além de planejar eventos mais envolventes para o público.

RH Week

 

Empatia

Uma parte muito importante das atividades da equipe de marketing é se colocar no lugar do outro. 

Na prática, esses profissionais precisam conhecer seu público, seus desafios e o que os motiva a agir com uma enorme riqueza de detalhes.

Somente quando existe esse entendimento é possível criar ações e mensagens que realmente conversem com as necessidades do público e resolvam problemas reais. 

Ou seja, a empatia é a base de um bom profissional de marketing. Além disso, ela também ajuda a equipe a ter uma relação saudável entre colegas e áreas, já que recebe demandas de vários departamentos e geralmente lida com prazos apertados. 

 

Learning Agility

Ao contrário do que o nome sugere, Learning Agility não significa só aprender rápido, mas sim aprender para acompanhar as mudanças do mundo. 

Por definição, alguém com Learning Agility é uma pessoa que conquista novas skills de forma consciente e contínua, supera desafios complexos e aprende e aplica seus aprendizados sem perder tempo.

Os profissionais de marketing estão sempre precisando de informação sobre o seu nicho, público e tendências de consumo gerais. E também devem testar novas abordagens nas campanhas. 

Nesse sentido, desenvolver Learning Agility faz muito sentido para que eles atinjam seus objetivos na empresa e também fora dela, já que é uma soft skill útil para a vida toda. 

💎 Confira aqui um guia completo sobre como desenvolver Learning Agility nas suas equipes 

 

Fluência em dados

Também conhecida como Data Literacy, essa é a habilidade de se comunicar bem com dados e trabalhar com eles de forma nativa, com muita facilidade. 

Para alguém de marketing, é fundamental conhecer as nuances do comportamento humano. Mas saber interpretar e agir sobre as métricas que esses comportamentos geram é tão importante quanto.

Nesse sentido, a fluência em dados permite que o profissional de marketing capture, analise e interprete os números gerados pelas campanhas, para que esses números se tornem decisões assertivas em benefício da empresa. 

Soft skills para a área de marketing

Soft Skills para a área de Vendas

Alguém que lida o dia todo com pessoas, e depende do bom relacionamento com elas para ter sucesso, precisa ser um verdadeiro mestre em soft skills. Confira algumas bem-específicas que ajudam profissionais de Vendas a chegarem ao “sim” com mais facilidade:

 

Fluência digital

Ter fluência digital significa poder navegar por sistemas e aplicativos online de forma natural, compreendendo toda a dinâmica como uma segunda língua. 

A verdade é que a tecnologia está criando canais de acesso mais eficazes para o contato com potenciais clientes e encurtar a jornada de compra. E o profissional de Vendas precisa acompanhar esse movimento para ter bons resultados.

Por isso, é preciso desenvolver nele a habilidade de entender um sistema de CRM, de poder pelo menos entender um relatório de BI e de conseguir usar sites, redes sociais e aplicativos com tranquilidade. 

 

Pesquisa 

A habilidade de fazer uma boa pesquisa é uma soft skill subestimada por muitas pessoas.

Quando na verdade, saber como e onde buscar informações sobre clientes, prospects, concorrentes e mercado é um dos principais passos para construir um argumento de vendas irresistível.

Isso porque a pesquisa abastece o vendedor com ideias e dados úteis para contornar objeções e conquistar a confiança do potencial cliente. E quando dominamos um determinado assunto, falamos com mais segurança e aumentamos a chance de influenciar o resultado da conversa. 

 

Negociação e Influência

Saber influenciar um resultado na direção mais vantajosa e conquistar a confiança do outro está na essência de um bom profissional de vendas.

Na prática, não significa só se preparar para o momento de uma negociação e escolher uma estratégia. Mas se manter no controle da conversa e enxergar momentos de aplicar técnicas e gatilhos mentais para evidenciar o benefício da compra.

Capacitar sempre o time comercial com novas estratégias também é importante para que eles saibam lidar bem com a pressão da negociação e com os inevitáveis “nãos” que vão acontecer. 

 

Gestão de relacionamento

Saber se relacionar bem com o cliente, mesmo depois da compra, é uma habilidade importante para que o vendedor consiga fidelizá-lo.

Quando bem-feita, a gestão de relacionamento permite que exista uma parceria duradoura e favorável para os dois lados. Isso abre portas para indicações, projetos e novas compras.  

Trazendo alguns exemplos práticos, ela pode ser feita com ações de pós-venda, como pesquisas de satisfação, presentes, conteúdos e ofertas exclusivas. 

Mas também o sucesso dela também depende de outras soft skills do vendedor, como empatia, criatividade e um temperamento agradável. 

Essa soft skill também está ligada à Fluência digital, já que a gestão de relacionamento também pode ser feita com a ajuda de um CRM. O software mapeia os pontos de contato do cliente com a empresa e dá informações úteis para o vendedor planejar ações e contatos.

Soft skills para a área de vendas

Soft Skills para a área Financeira

Trabalhar no departamento financeiro vai muito além de pagar e receber.

As pessoas da área precisam avaliar riscos e elaborar relatórios que pedem até um conhecimento mais amplo de mercado. Também devem enxergar problemas, detalhar seus pontos-chave e comunicá-los aos colegas e diretores com clareza e concisão. 

Confira algumas soft skills que ajudam esses profissionais a atingirem esses objetivos: 

 

Pensamento crítico 

O dinheiro, e consequentemente o profissional da área financeira, está diretamente ligado à continuidade do negócio.

Por isso, é importante que ele desconfie de cada número e seja bem-minucioso ao olhar cada fatura, boleto e extrato, já que qualquer erro pode colocar toda a empresa em risco. 

Nesse sentido, o pensamento crítico é uma soft skill que o ajuda a não apenas executar, mas parar, examinar as situações a fundo e não acreditar em nada de olhos fechados. 

 

Organização

De todas as habilidades, a organização é uma das mais importantes para profissionais do departamento financeiro.

Afinal, eles lidam com documentação sigilosa em grande volume e têm seus processos diários, semanais, mensais e anuais. Isso sem falar de compras, investimentos, relatórios e pagamento de colaboradores e fornecedores. 

Geralmente, o departamento financeiro usa a tecnologia para lidar com todas essas tarefas de rotina.

Mas de nada adianta ter o melhor sistema se os profissionais não conseguirem alimentá-lo. Eles também precisam conhecer suas prioridades, ter uma lista de tarefas, manter a papelada em ordem e respeitar os prazos. 

 

Gestão do tempo

Falando neles, quando o financeiro perde um prazo, ele cria riscos perigosos para a empresa. 

Não pagar um fornecedor na data combinada, por exemplo, pode prejudicar as relações com o mercado e impactar a produção de produtos ou serviços. Já quando perde-se o tempo de entrega de uma obrigação fiscal, abrimos uma brecha perigosa no compliance da organização.

Ou seja, o profissional da área precisa saber como fazer uma boa gestão do seu tempo e conhecer as datas principais de cada processo.

Mas isso significa conseguir identificar as tarefas certas para cada momento, e não apenas executar tudo rapidamente. Escolher o que não fazer é tão importante quanto saber o que fazer.

 

Resolução de problemas

Um profissional da área financeira geralmente conhece as soluções técnicas para os problemas da área.

Mas vale lembrar que o dinheiro é algo que permeia toda a empresa. 

Por isso, é preciso que ele tenha uma visão mais holística e consiga lidar com problemas que fogem um pouco da esfera financeira, e que muitas vezes não têm resposta pronta.

Como por exemplo, se unir ao marketing na tarefa de adicionar fundos a uma conta de anúncios no Facebook, para patrocinar conteúdos da empresa naquela rede.

Dessa forma, é fundamental apurar a habilidade de resolução de problemas para que o profissional consiga combinar a lógica, pesquisas e experiências pessoais para resolver novos problemas de novos jeitos.

Soft skills para a área financeira

Soft Skills para a área de Recursos Humanos

A responsabilidade de mapear e desenvolver as soft skills em toda a empresa muitas vezes é do RH. Mas eles também precisam trabalhar algumas habilidades comportamentais específicas para desempenharem bem suas funções.

Confira algumas delas:

 

Fluência em cibersegurança

Faz parte do dia a dia do RH lidar com uma grande quantidade de dados pessoais dos colaboradores.

Para manter esses dados seguros, é importante que ele internalize os princípios da cibersegurança referentes ao tratamento e armazenamento desse tipo de informação. 

Isso significa criar e defender as regras, junto com o time de tecnologia, sobre o acesso aos dados dos colaboradores, do processo seletivo até o fim do contrato.

Com a Lei Geral de Proteção de Dados em vigor, e os ciberataques atingindo ¼ das empresas brasileiras em 2021, quanto mais profissionais fluentes em segurança de dados, mais o negócio fica protegido de vazamentos e de sanções legais. 

 

Criatividade

Um dos grandes desafios desse profissional é engajar líderes e colaboradores nas ações, treinamentos e na cultura da empresa em geral. 

Nesse sentido, a criatividade ajuda a reduzir bloqueios, deixar as ideias fluírem e encontrar novos jeitos de conquistar a participação das pessoas. 

Ser um RH criativo e aberto ao novo também é importante para a área acompanhar as expectativas das novas gerações de colaboradores. 

Colocando em prática ações e benefícios diferentes e que chamem a atenção, é possível construir uma marca empregadora mais forte, atual e que seja um ímã de grandes talentos. 

 

Inteligência emocional

O nome da própria área já deixa bem-claro. O profissional de Recursos Humanos lida com muitos momentos de alta carga emocional, como o onboarding e o desligamento. 

A pandemia aumentou a voltagem dessa carga, e questões como burnout e o luto passaram a integrar o dia a dia do departamento.

Por isso, é importante que o RH tenha uma inteligência emocional mais do que bem-desenvolvida. Ele precisa dar o exemplo na empresa. 

Isso significa se manter firme e amparar as pessoas em horas difíceis, ter empatia com cada momento da jornada do colaborador, saber ouvir e falar e gerenciar seus relacionamentos com diversos times, pares e diretoria. 

 

Proatividade

Um RH proativo pode economizar tempo e dinheiro da empresa se antecipando aos problemas antes que eles virem problemas. 

Por exemplo, se a organização quer abrir uma filial em outra região do Brasil, os profissionais de RH já podem começar a planejar seu próprio cronograma de ações de recrutamento lá.

Outro exemplo de proatividade no RH é ter um plano de sucessão. Ou seja, já ter um programa que treina colaboradores para o momento de troca de lideranças. Dessa forma, evita-se que seja necessário ir ao mercado procurar esse novo gestor. 

Assim, a proatividade é uma soft skill que faz a gente passar menos tempo apagando incêndios. Essa queda nas tarefas reativas ajuda a reduzir o estresse e aumentar a produtividade das pessoas. 

Soft skills para a área de RH

Hard skills são importantes para o futuro. Soft skills são fundamentais

Todas essas habilidades não são só complementares. Hoje, são essenciais para o sucesso de qualquer negócio.

Ou seja, elas ajudam empresas a dar conta das novas demandas de um ambiente de trabalho em constante transformação. Não é à toa que muitas soft skills focam em adaptação - ao momento do outro, à novas tecnologias e às necessidades de mercado.

E quando desenvolvemos em nossos times habilidades que as máquinas ainda não desempenham, ajudamos a empresa a dar um passo além da adaptação. Nós a ajudamos a ser à prova de futuro.