Se alguém te perguntasse quais são as características de um impostor, o que você responderia? 

Você pode buscar a resposta em um dicionário e encontrar que impostor é aquele que engana os demais, que é mentiroso e trapaceiro. 

Mas também é possível que você se identifique com essa definição e pense que você próprio é um impostor. Pode acreditar: isso é mais comum do que imaginamos.

Vamos citar algumas situações em que a síndrome do impostor se manifesta para você identificar se já passou por elas.

No momento da sua promoção no trabalho, você teve a sensação de que não era qualificado o bastante para ela ou que isso aconteceu por pura sorte? Você já recebeu um feedback positivo que não pareceu tão sincero assim e que você interpretou apenas como uma maneira da outra pessoa tentar te agradar? 

Esse tipo de percepção sobre as situações tem um nome: síndrome do impostor

O conceito foi criado em 1978 e é mais comum do que se pensa. Uma pesquisa da Universidade Dominicana da Califórnia mostrou que 70% dos profissionais vivenciaram a síndrome do impostor em algum momento da vida

Se você já se identificou com esse sentimento e quer entender o que é a síndrome do impostor, como identificá-la e por que pode ser um empecilho na sua carreira, confira este artigo. Vem com a gente!

O que é síndrome do impostor

A pessoa que sofre com a síndrome do impostor tem uma autopercepção de que ela não é boa o suficiente ou até mesmo não é merecedora de situações positivas que vivencia. A autossabotagem está diretamente relacionada à síndrome do impostor. 

Você já deve ter conhecido alguém ou até mesmo tenha vivenciado a seguinte situação. No trabalho, seu colega se dedicou intensamente ao desenvolvimento de um projeto que trouxe resultados positivos. Ao final da entrega, ele não reconhece o próprio trabalho e acredita que os resultados foram frutos do acaso, da sorte ou de qualquer outro fator, menos do esforço e dedicação dele. 

Além dessa percepção distorcida sobre si mesmo, a síndrome do impostor conduz a pessoa a interpretar que ela não merece o lugar que ocupa hoje. Seja pensando que sempre haverá alguém melhor para estar naquele cargo ou função, ou que ela não tem a qualificação suficiente para se candidatar a uma vaga e que ela não deve ocupar novos espaços assim: esses são alguns exemplos de situações em que a síndrome do impostor fala mais alto. 

Neste vídeo do TED-Ed, você vai entender a psicologia por trás da síndrome do impostor e compreender esse sentimento tão comum de não se perceber merecedor de suas realizações. 

Como a síndrome do impostor pode afetar sua carreira

A síndrome do impostor pode ser um grande obstáculo para o seu desenvolvimento profissional e vamos explicar como. 

Imagine que você encontra uma nova oportunidade de emprego. Qualquer profissional de RH que analise seu currículo e seu perfil profissional diria que você está apto para aquela vaga: sua qualificação é adequada e suas experiências correspondem a todos os critérios da vaga. 

Mas você não se sente qualificado o bastante para aquela oportunidade. Você pensa que as suas formações não são tão boas assim, ou que suas experiências não são suficientes para se candidatar a vaga. Ao final, a vaga de emprego que poderia acelerar sua carreira é encerrada e você nem se candidata. 

A síndrome do impostor é congelante. Ela faz com que a pessoa não aceite novos desafios por achar que não é suficiente. 

Essa autossabotagem prejudica não apenas o desenvolvimento profissional, mas também gera um constante sentimento de insatisfação com a própria carreira. Afinal, a pessoa não reconhece as próprias conquistas e fica impedida de ver próximos passos e desafios. 

E por que a síndrome do impostor é mais comum entre mulheres?

O que personalidades como Sheryl Sandberg, Michelle Obama e Meryl Streep têm em comum?

Todas elas já declararam que não se sentem competentes o suficiente para estar no lugar que ocupam. Esse exemplo mostra que a autopercepção pode ser enganosa e que ele é uma realidade especialmente para as mulheres. E por que isso acontece?

A síndrome do impostor não é algo que surge do dia para a noite. É uma percepção construída ao longo da vida das mulheres, especialmente da carreira. Uma excessiva autocobrança e a necessidade de se mostrar tão competente quanto um homem, por exemplo, é a combinação que potencializa o aparecimento da síndrome do impostor em mulheres. 

E muitas passam por isso. As mulheres tendem a se sentir incapazes e não merecedoras das suas próprias conquistas, e o sentimento constante é de que estão enganando a si próprias e aos demais. 

E é importante destacar que a síndrome do impostor não é uma exclusividade feminina. Apesar de afetar mais as mulheres, a síndrome pode prejudicar a carreira de todos, independentemente de idade, áreas de atuação ou personalidade. 

Como identificar a síndrome do impostor

Existem alguns padrões que se repetem em pessoas que sofrem com a síndrome do impostor. Separamos 3 deles: 

1. Autocobrança em excesso 

O constante medo de que as conquistas sejam questionadas faz com que a pessoa exagere na autocobrança. Isso reflete em um esforço excessivo e no sentimento de que tudo precisa estar perfeito para que, no final, a pessoa realmente seja merecedora daquilo que conquistou. 

2. Procrastinação

Adiar a tarefa até o último instante também é uma prática comum entre quem sofre com a síndrome do impostor. Por sentir a necessidade de realizar entregas perfeitas e que não deem margem para os demais questionarem sua competência ou até mesmo apontarem sua incapacidade, as pessoas tendem a procrastinar suas tarefas constantemente. 

3. Comparação constante com os demais 

Aliada a todos os outros padrões, a comparação é bastante traiçoeira e potencializa a síndrome do impostor. Além de não se sentir suficiente, a pessoa com a síndrome do impostor passa a olhar os demais acreditando que qualquer outra pessoa seria "mais merecedora" daquela posição do que ela própria. 

E fazer comparações nesse sentido não é saudável porque a referência que se tem do outro é apenas aquilo que se pode ver. A pessoa que tem a síndrome do impostor acaba comparando o seu próprio bastidor com o palco do outro

Como lidar com a síndrome do impostor

Além do autoconhecimento e da ajuda de especialistas, quem experiencia a síndrome do impostor pode se desafiar diariamente para desconstruir os padrões de comportamento que vivencia

Assim como a síndrome do impostor não surge do dia para a noite, a solução para ela também é um processo. Por isso, faça constantes avaliações das suas conquistas profissionais e o que as motivaram. Assim, você poderá perceber que de fato elas aconteceram porque você as construiu. 

Pratique uma escuta ativa e acolha os feedbacks positivos que você receber, e também reconheça que todos têm limitações e, mais uma vez, não compare o seu bastidor com o palco do outro. 

Autoconhecimento e inteligência emocional 

Agora que você conhece mais detalhes sobre a síndrome do impostor, como identificá-la e porque ela pode estar impedindo o seu desenvolvimento profissional, você pode entender a importância do autoconhecimento nesse processo. 

Entender o seu emocional para saber o que é real e o que não é se torna fundamental para gerenciar todos os efeitos da síndrome, impedindo que ela prejudique sua carreira. 

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