Neste momento, os profissionais de RH procuram caminhos para agilizar um processo em curso e em expansão mesmo antes da pandemia: um foco maior na saúde mental do colaborador. 

Alguns dados comprovam a relevância deste movimento nas organizações:

  • O Brasil ocupa o 2º lugar entre os países com maior incidência de burnout, de acordo com a International Stress Management Association (ISMA-BR). 
  • 63% dos brasileiros apresentaram sintomas de ansiedade e 59% tiveram sinais de depressão, segundo pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) durante a pandemia.

Mas, afinal, qual é o papel do RH na promoção da saúde mental dos times? Quais são as boas práticas do mercado e como posso adaptá-las para a minha empresa?

Essas e muitas outras questões  serão debatidas na RH Week - Edição Saúde Mental. O evento, 100% online e gratuito, acontece entre os 10, 11 e 12 de maio, a partir das 19h. Vamos trazer boas práticas, ferramentas, cases e insights para você se inspirar e desenvolver uma cultura voltada à saúde mental na sua organização.

Para participar, convidamos líderes e profissionais de empresas de destaque nacional, como Ambev, Gympass, Gupy e Zenklub. Eles vão falar sobre como tem atravessado esse período, quais são suas iniciativas voltadas à saúde mental e qual é o melhor caminho para gerar consciência sobre o assunto na empresa.

Vamos aos melhores momentos? Nós preparamos um resumo com os principais temas debatidos na RH Week. Confira os insights:

Dia 1 :: O papel do RH no desenvolvimento da saúde mental dos colaboradores

O primeiro dia da RH Week - Edição Saúde contou com a presença de Ana Júlia Archer, gerente de Gente e Gestão na Conquer, e Rui Duarte Brandão, cofundador do Zenklub, maior plataforma de saúde mental e desenvolvimento pessoal do Brasil. 

Neste bate-papo, falamos sobre qual é o papel do RH no desenvolvimento da saúde mental dos colaboradores. Continue lendo para conferir os insights.

Para acessar a apresentação em PDF, clique aqui.

Gerando relevância nas ações internas

Os RHs têm um papel fundamental como agente interno para levar o tema da saúde mental para todas as pontas da empresa, e trabalhar para que não seja mais um tabu.

Antes de tudo, entenda o contexto em que você está inserido: sua empresa valoriza a saúde mental? Se sim, inicie um movimento de engajamento, realize dinâmicas ou palestras. Os diálogos e as reações dos colaboradores vão começar a trazer relevância para o assunto, o que deve gerar uma reação da liderança.

Por outro lado, há líderes que já veem valor na saúde mental. Neste caso, a recomendação é não enxergar as ações de saúde mental de forma “picada”, mas sim como um programa completo. É possível, inclusive, escalar o impacto. Para isso, permita-se trazer parceiros, que podem trazer expertise e mostrar métricas relevantes.

Como criar um ambiente em que o colaborador sabe que pode pedir ajuda

No final do dia, somos todos humanos. Portanto, as lideranças e a área RH precisam se unir para que o colaborador se sinta confortável em expressar vulnerabilidades. 

É preciso reconhecer que o mundo está voltado às conexões, com marcas, com empresas, etc. E, na base da segurança emocional, está o engajamento com o trabalho

A relevância disso? Para se ter uma ideia, cerca de 85% dos colaboradores não se sentem engajados com a empresa. Se 50% do gasto operacional é com pessoas, isso deve acender um sinal vermelho para as lideranças: precisamos engajar os colaboradores. 

E, para isso, é preciso criar um ambiente com abertura, transparência e confiança.

Dicas de rituais e boas práticas

Os rituais trazem estabilidade, organização e ajudam no processo de adaptação (ao home office, por exemplo), mas é preciso usá-los de forma inteligente, para combater a solitude e agregar valor. 

Ou seja, não pode ser só mais um compromisso na agenda. Avalie a produtividade das reuniões, especialmente das que são repetidas ou parecidas.

Confira exemplos de rituais das empresas convidadas:

  • Terapia on-line.
  • Ioga ou mindfulness semanal.
  • Bot que reúne pessoas para tomar um “café virtual”.
  • Bookclub entre lideranças, para gerar um ambiente de troca, integração e complicidade.
  • Reunião em formato “All-hands” com toda a equipe: hora de ser transparente, mostrar o que está acontecendo na empresa, e reconhecer colaboradores, demonstrando que a dedicação dele tem retorno claro.
  • One a one quinzenal, entre líder e colaborador.
  • Momentos de diversão e descompressão.

Acima de tudo, aqui entra o famoso “walk the talk”. Ou seja, o líder precisa cumprir o que está falando e se preocupar com a saúde mental dele mesmo. 

Se isso não acontecer, o ambiente vai perdendo a segurança emocional, o que pode reduzir o engajamento do time e até levar a estresse proveniente do trabalho.

Por onde começar

O acolhimento e a escuta devem estar sempre presentes. Neste sentido, preparar os líderes, trazendo informações para que ele saiba como agir, é fundamental. No fim das contas, o objetivo é deixar o ambiente aberto, trazendo equilíbrio e empatia para o aumento do bem-estar e da produtividade.

“Ok, e como fazer isso?”. Aqui vão quatro dicas para começar a ter um olhar mais atento à saúde mental do colaborador:

  1. Parta do que você já tem na empresa. É possível que sua organização ofereça benefícios que os colaboradores não conhecem ou não sabem como acessar. Quando você envelopa as ações isoladas e entrega uma “caixa completa” para o time, o engajamento é muito maior.
  2. Faça uma escuta ativa dos colaboradores, sem ficar na defensiva – acredite, a equipe vai trazer respostas que você nem imagina. Só aí você vai ter insumos para pensar em boas iniciativas de promoção da saúde mental dos colaboradores.
  3. Crie um canal aberto de comunicação entre líderes e colaboradores para aproximá-los.

Lembre-se de que você não está sozinho. É possível contar com empresas parceiras, que podem apoiar os colaboradores em suas jornadas de bem-estar e oferecer dados para apoiar nas estratégias de RH.

Hacks para você criar um programa de saúde mental do colaborador

São muitas mudanças e estamos aprendendo a fazer tudo isso juntos. Confira abaixo algumas áreas que você deve cobrir quando pensar em estratégias voltadas à promoção da saúde mental do colaborador:

  • Impacto e relevância na alta liderança
  • Empatia x contexto
  • Mapeamento de necessidades
  • Ações bio/psico/sociais
  • Cultura: rituais, performance, pertencimento
  • Canais para suporte e informação
  • Liderança: ferramentas, informações, treinamentos
  • Parceria e benefícios

Resumo visual :: dia 1

O primeiro dia da RH Week - Edição Saúde Mental contou com a facilitação visual elaborada por Márcia Sakamoto. Confira abaixo:

Dia 2 :: A aposta da Ambev para o futuro: um bate papo sobre saúde mental nas organizações

Um dos objetivos da RH Week é levar dicas práticas e inspirações para você, RH. Por isso, convidamos a responsável por um dos grandes cases recentes de saúde mental: Mariana Holanda, líder de Saúde Mental e Diversidade e Inclusão para a América do Sul na Ambev

Ela nos contou tudo o que tem feito nesta área nova e os resultados obtidos em uma das maiores companhias do mundo! Quer entender como você pode adotar essas boas práticas na sua empresa? Continue lendo este post.

Para ler a apresentação do webinar e a ferramenta de diagnóstico em PDF, clique aqui.

Por que uma área de Saúde Mental

A jornada da saúde mental na Ambev está relacionada às transformações na cultura da empresa uma conversa que começou antes da pandemia. No momento, o debate era sobre a transformação digital, a mudança de mindset influenciada por isso e a valorização das soft skills. Como ser RH neste novo contexto?

A área de Saúde Mental foi acelerada em 2020, na pandemia, e surge com um olhar para o indivíduo como ser integral, que não separa o pessoal do profissional. Um dos intuitos foi também fazer uma provocação, dentro e fora da empresa.

Como gerar relevância na alta liderança

Existe um processo para que isso aconteça, que não é simples. Na Ambev, esse processo está em progresso. 

Uma dica para levar o tema às lideranças é relacionar o impacto da saúde mental na performance, especialmente a longo prazo. É comum ver profissionais entregarem tudo de si por anos e depois sofrerem burnout.

É possível traçar um paralelo com os atletas. Você vê algum atleta competir até ficar completamente desgastado? Isso é sustentável? Existem alguns períodos específicos e planejados para dar um gás. 

Resiliência, uma palavra tão forte no vocabulário corporativo, não é aguentar tudo a todo momento. Ao entender isso, podemos tirar nossas capas de super-heróis e trabalhar em prol do coletivo.

O papel do RH está justamente nisso: fazer as conexões e traduções para que a alta liderança enxergue a importância da saúde mental no dia a dia e como ela impacta os resultados para a empresa, salientando a importância da escuta e do acolhimento. 

Como foi o processo na Ambev

O projeto tem diversas fases e a melhoria é contínua, hoje a área de Saúde Mental já é considerada estratégica na empresa. Veja como se deu o processo:

  1. Aprofundamento: pesquisa e busca de dados sobre o tema, nacionalmente e internacionalmente. Mas também dentro e fora da empresa (benchmarking). 
  2. Desestigmatização: lançamento do guia de saúde mental na empresa.
  3. Vulnerabilidade: contar histórias pessoais em eventos. Era preciso dar um rosto à saúde mental, para que o tema não continuasse impessoal. Foi importante tocar as pessoas e fazerem elas se reconhecerem nas histórias.
  4. Pilotos: várias ferramentas de saúde mental foram testadas em diferentes regiões do Brasil, seguindo a tríade suporte, prevenção e analytics.
  5. Estratégia 360: a empresa conta com ferramentas, atendimento em terapias holísticas, psiquiatras dedicados e acompanhamento de dados.
  6. Desenvolvimento: formação das lideranças, como parte do pilar de prevenção.
  7. Avaliação de processos e rituais: entendimento de como eles se relacionam com a cultura, que deve ser padronizado e o que pode ser personalizado em cada regional.
  8. Relacionamento: é necessário ter parceiros em outras áreas, por exemplo, com o médico do trabalho, para fazer a conexão entre saúde mental e física.

O desafio era engajar 10% dos 30 mil colaboradores brasileiros no uso das ferramentas, meta que já foi superada. Em poucos meses de lançamento, já é possível ver outros líderes da Ambev falando sobre saúde mental de forma orgânica e colaboradores expondo essas questões no dia a dia.

Hacks de por onde começar

Arregace as mangas para aprender! Ao internalizar o conhecimento, o formato de discussão muda. Você passa a focar menos no problema e começa a enxergar soluções que fazem sentido para o negócio.

O livro “A Sociedade do Cansaço", de Byung-Chul Han, é um bom ponto de partida. É importante, além disso, estudar relatórios relevantes que vão fazer você se conectar com as lideranças. Alguns exemplos de fontes são a Harvard Business Review e Delloite.

Outro hack é a vulnerabilidade. Ou seja, trazer de forma rica e humana tudo o que estamos vivendo. É ao contar as próprias vivências que nos conectamos e começamos a tirar o estigma da saúde mental.

Por último, vá com medo mesmo! Se o mundo está falando que o assunto é importante, certamente vai cair a ficha da sua empresa de que o investimento terá que ser feito.

Ferramenta: Diagnóstico Performance x Cultura

A partir de dez perguntas, é possível traçar um mapa de desenvolvimento para sua empresa. Faça o download aqui e conheça essa ferramenta que a Conquer preparou para sua organização começar um projeto de promoção da saúde mental dos colaboradores.

Resumo visual :: dia 2

O segundo dia da RH Week - Edição Saúde Mental contou com a facilitação visual elaborada por Márcia Sakamoto. Confira abaixo:

Dia 3 :: Workplace trends: práticas consistentes para a saúde emocional dos colaboradores

Se você acompanhou todos os dias desta edição da RH Week, sabe que ações isoladas de promoção da saúde mental do colaborador não provocam mudanças significativas. É preciso manter práticas consistentes inseridas na cultura organizacional para começar a enxergar resultados.

Por isso, convidamos profissionais de grandes empresas que sabem muito bem como fazer isso na prática: Dedila Costa, Diretora de CS e sócia na Gupy, e Renato Basso, Diretor Global de HRBP no Gympass. Acompanhe o resumo abaixo com os principais insights da última noite do evento.

Para fazer o download da apresentação do webinar, clique aqui.

Boas práticas da Gupy e do Gympass

Quem interage com os clientes são os colaboradores. Por isso, é preciso investir neles para atingir os objetivos da empresa. E a segurança emocional tem um papel importante na performance dos times.

Ações simples e sem custos promovem essa segurança, como comunicar aos colaboradores as estratégias da empresa com transparência, ter mais olho no olho e oferecer feedbacks

No fim das contas, são essas pequenas atitudes que fortalecem a confiança entre os times e a cultura da organização.

Confira algumas práticas adotadas pela Gupy e pelo Gympass:

  • Reuniões quinzenais para falar sobre assuntos como rotina diária (estão fazendo pausas? Estão bebendo água?), hobbies etc.
  • Preparar a liderança
  • Aumentar a flexibilidade e autonomia
  • 3 days off anuais sem justificativas
  • Day off para a saúde mental sem necessitar encaminhamento médico
  • Contratação de empresas parceiras de bem-estar
  • Desafios e competições saudáveis
  • Sextas sem reuniões
  • Reuniões em que as pessoas podem perguntar sobre qualquer assunto anonimamente
  • Chamar a atenção de colaboradores que estão respondendo fora do horário de trabalho
  • Cafés virtuais entre colaboradores
  • Trocar com outros profissionais de RH
  • Escuta ativa para melhoria contínua

Outras ações, aparentemente não relacionadas, também favorecem a segurança psicológica e, portanto, a saúde mental dos colaboradores. Isso inclui o impacto positivo da empresa na sociedade, mesmas oportunidades no recrutamento interno e inclusão e diversidade, entre outros posicionamentos da organização.

Como tornar seu projeto relevante

Antes de tudo, é preciso reconhecer o ambiente de trabalho em que você, RH, está inserido. Por exemplo, entender se projetos caminham melhor quando você mostra dados ou se são mais bem detalhados.

Ao compreender isso, faça perguntas aos colaboradores. É possível, inclusive, usar ferramentas de resposta anônima, como o Peakon. 

A partir dos dados, entre em contato com os times e entenda como eles podem exercer o protagonismo e contribuir em um projeto com o RH. Afinal, o cuidado com o colaborador não é papel só do RH, mas também dos líderes e outros colaboradores.

Essa é a fórmula para que a conversa ganhe relevância na empresa e você conte com um público mais engajado.  Além disso, por meio desse processo, você passa a ter dados para mostrar a importância desse tipo de ação e negociar budget com as lideranças.

Primeiros passos para começar

Para iniciar um projeto de saúde mental dos colaboradores, tire uma fotografia da instituição, observando e fazendo perguntas. 

Procure referências de boas práticas, mas entenda que será necessário adaptar à sua organização e, para isso, é preciso conhecer a empresa em profundidade e compreender de que forma o RH pode ser estratégico para o desenvolvimento do negócio. 

Outra dica importante é buscar uma área ou um líder que compre a sua ideia. Assim, você pode fazer um projeto piloto que será um exemplo para a organização, fazendo com que a iniciativa ganhe força na empresa.

Workplace trends

Confira algumas iniciativas que você pode fomentar na sua organização para promover a saúde mental do colaborador:

  • Acolhimento e diálogo aberto
  • Detox: reuniões, telas, bad news
  • Incentivo a atividades físicas, meditação
  • Parcerias: terapia, músicas, exercícios
  • Rituais: socialização, descontração
  • Workshops: lives com especialistas
  • Formação da liderança

Resumo visual :: dia 3

O terceiro dia da RH Week - Edição Saúde Mental contou com a facilitação visual elaborada por Márcia Sakamoto. Confira abaixo:

Conquer na sua empresa

A Conquer está lançando um programa de bem-estar organizacional, prevendo as áreas de saúde mental, bem-estar, produtividade, engajamento e gestão. O programa inclui plano de comunicação; diagnóstico, resultados e plano personalizado; desenvolvimento com lideranças e implementação do projeto com colaboradores. 

Além disso, podemos apoiar sua empresa com cursos e treinamentos in-company. Entre os mais pedidos, estão os cursos de Liderança, Inteligência Emocional e Comunicação Assertiva e Oratória.

Saiba mais sobre os serviços In-Company da Conquer e entre em contato.