Em uma casa de carnes com inspiração argentina da zona sul paulistana, eu me preparava para abocanhar um cuidadosamente garfado e suculento ojo de bife, corte do miolo do Bife Ancho, macio e sem gorduras, quando ouvi do meu amigo Maurício Prado, pai de três filhas, casado e velejador entusiasta – e também, é bom que se diga, vice-presidente da Divisão de Soluções de Negócios em Nuvem da Oracle –, uma frase que me fez repensar a vida e a carreira.

Era 13 de novembro, e eu relatava ao Mauricio as minhas dificuldades em equilibrar tantos pratos e girá-los de maneira uniforme e segura. Um esforço que me levava aos limites físicos e mentais.

Foi quando ele vaticinou: “Então está na hora de você escolher quais pratos vai ter que deixar cair”.

Como sou um fã de quem tem a resposta certa para a hora certa, aquilo me soou como música.

Justamente por Mauricio não ser psicólogo, coach ou mentor, ou talvez um pouco deles todos, decidi dividir com os leitores de Época Negócios a visão deste executivo de ponta, com 30 anos dedicados à transformação de negócios, por meio da tecnologia e de equipes de alta performance.

“Quando você está tranquilo e dominando todos os pratos, pode acontecer de bater um vento imprevisto e desequilibrar um deles. No empenho de tentar salvá-lo, você acaba colocando em risco todos os outros. Muitas vezes, conseguimos equilibrar os pratos novamente, mas, em certos casos, temos de tomar a difícil decisão de deixar cair um para salvar os mais importantes.”

E quais seriam?

“Existem pratos de porcelana (família, relacionamentos, saúde, valores pessoais) que, se caem, nunca mais conseguimos arrumar. E outros igualmente importantes, mas que são emborrachados (carreira e patrimônio), isto é, que podem cair sem se espatifar. Estes você recupera novamente”, compara.

A tomada consciente de decisão de deixar um prato cair, descreve o VP da Oracle, passa por aceitar a nossa vulnerabilidade e reconhecer que nem sempre somos capazes de manter todos os pratos no ar, e em qualquer condição: “Passa ainda por entender que não temos superpoderes e que a vida não é perfeita. Sempre haverá surpresas e mudanças de intensidade ou de direção. Portanto, precisamos aprender a conviver com isso e não desviar dos nossos valores pessoais, quando precisarmos tomar essa decisão sensível”.

A partir desse ponto, o do autoconhecimento, conseguimos enxergar quais são as prioridades. Comunicação e transparência são fundamentais, pois todos conseguem entender o momento e a decisão a ser tomada, podendo inclusive ajudar no processo.

Liderando diariamente centenas de pessoas, vivendo entre a pressão e a responsabilidade, com metas para atingir e diversas decisões importantes a serem tomadas em um só dia, pergunto ao Mauricio Prado como equilibrar dois “pratos capitais” da gestão: foco total no cliente e motivação do time.

“É como velejar: às vezes, a maré está calma; às vezes, não. Logo, você precisa ter uma rota clara, dominar o equipamento, ajustar as velas conforme o vento, preparar e motivar a tripulação para tudo o que possa vir pela frente. E nada disso é possível fazer sozinho. Se o seu prato cair, tenha certeza de que alguém do seu lado vai ajudar a recupera-lo”, ensina ele, com maestria.

Artigo escrito por Marc Tawil, jornalista, radialista e escritor, atuou por 15 anos em algumas das principais redações do país e hoje é diretor criativo executivo da Tawil Comunicação. Autor dos livros Trânsito Assassino e Haja Saco, Marc é Top voice do Linkedin Brasil.

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