Nos últimos anos o Brasil conseguiu criar empresas com crescimento acelerado e ganho de valor de mercado em uma velocidade exponencial.

Atualmente contamos com 11 unicórnios e com uma enorme lista de startups que rapidamente entraram nessa classificação. As empresas brasileiras que atualmente valem mais de 1 bilhão de reais são:

  1. Movile
  2. Ifood
  3. Nubank
  4. Quinto Andar
  5. Gympass
  6. Loggi
  7. 99 Taxi 
  8. Arco Educação
  9. Ebanx
  10. Stone
  11. Creditas

Fonte: Distrito

A lista daqui para frente é enorme. Uma série de empresas nativas digitais criadas por empreendedores brasileiros está próxima de se tornar um unicórnio. 

Mas quais são as características dessas companhias e por que elas conseguem um crescimento de valor tão acelerado?

Desenvolvemos nos últimos anos aqui na Eescola Conquer uma metodologia para avaliar a capacidade das empresas em gerar valor baseados em inovação, o diagnóstico Genoma, que foi baseado no trabalho do professor David Roger da Columbia University. 

Ele é atualmente o Diretor de Transformação Digital da renomada universidade de Nova Iorque e considera que o processo pelo qual estamos passando é baseado em 5 grandes domínios.

Sobre o estudo

A partir dos dados que coletamos desde o início de 2020, realizamos um estudo preliminar que evidencia diferenças importantes entre as empresas que nasceram digitais e as tradicionais.

Foram coletadas mais de 1500 respostas de empresas de todo o Brasil.

A maturidade digital das nativas analógicas VS nativas digitais

Primeiramente é importante definir o que consideramos empresas nativas analógicas e o que consideramos empresas nativas digitais. 

  • Nativas digitais: já nasceram com um modelo de negócio baseado em uma plataforma digital. 
  • Nativas analógicas: não nasceram com essa realidade.

Dado esse contexto, o primeiro resultado abaixo é comparar a maturidade de cada um dos domínios da transformação digital: 

Os números representam o índice Genoma, calculado a partir das respostas dos colaboradores das organizações. Quanto mais próximo do 10, mais avançado está dentro de cada domínio da Transformação Digital.

Nesse gráfico podemos concluir que em todos os domínios da Transformação Digital, a maturidade das empresas digitais é sempre maior do que as empresas analógicas.

Inovação nas empresas digitais é 30% maior

Em alguns casos a diferença do índice de inovação é gritante e claramente mostra o impacto na capacidade das companhias em gerar valor financeiro. 

As empresas digitais têm uma avaliação no domínio “inovação” 30% maior do que as empresas nativas analógicas

Algumas perguntas dentro desse domínio chamam muita atenção nas empresas nativas analógicas.

Experimentos alavancam inovação

Quando colocamos a afirmação, “Na empresa a qual faço parte os experimentos são contínuos e produzidos por qualquer tipo de profissional”, a diferença entre nativas digitais e nativas analógicas é de 45%.

As nativas analógicas têm uma enorme dificuldade em criar uma cultura de experimentos e, portanto, tem uma velocidade muito menor em gerar valor se comparado com as companhias digitais. 

A cultura de experimentação se caracteriza por entregas faseadas e cíclicas de projetos, contando com validação das ideias em pequena escala, para só depois expandir para um público maior. Isso garante mais resultados com menos esforços e traz mais agilidade na solução de problemas internos e externos.

Antigamente era mais complicado por questões de alto custo,  mas os recursos tecnológicos atuais abriram muitas oportunidades para todo tipo de empresa realizar experimentações e acompanhar – ou melhor, estar à frente - da velocidade das mudanças do mundo, do comportamento e das necessidades dos consumidores. 

Para isso acontecer de fato é preciso ter flexibilidade nos processos, promover autonomia e criar abertura para riscos e erros.

O maior paradigma cultural: erro

Ao afirmarmos “Minha empresa considera os fracassos como fontes precursoras e baratas de aprendizado, sendo totalmente incentivadas", a diferença é de 35%. O erro ainda é um enorme paradigma que inviabiliza a inovação na grande maioria das empresas brasileiras. 

Você já deve ter visto aquela frase: Quem não arrisca, não petisca. Sendo mais profissional, nas palavras de Einstein: “Uma pessoa que nunca cometeu um erro, nunca tentou algo novo.” 

Quando se incentiva o erro, se incentiva também o tentar, o trazer ideias novas, a autonomia e a proatividade.

Quando o erro é visto como algo fatal as pessoas podem se sentir acuadas para  propor ou fazer algo diferente, fora da caixa.

Você sabia que o Google possui um “Mural de Cagadas”? Lá eles compartilham todos os aprendizados dos erros que já cometeram. 

Para inovar é preciso abraçar os erros!

Calma, não estou falando sobre negligência. A cultura do erro carrega obrigatoriamente com ela a cultura de aprendizagem. O valor do erro está em aprender como fazer melhor e acertar.

Da mesma maneira, estar aberto ao risco não significa pular de olhos fechados. 

Nativas analógicas arriscam muito mais que digitais

Quando afirmarmos “as decisões da empresa são tomadas totalmente com base em testes e validações”, a diferença é de 34%

Os testes e validações entregam conhecimento e dados para tomadas de decisões mais assertivas, alimentando um ambiente data-driven.
Ou seja, as ações são realizadas em pequena escala, em forma de teste para validação, gerando menos riscos. Ou são tomadas com base nos resultados desses testes, com conhecimento sobre os porquês e possíveis consequências da ação. 

E já que os testes reduzem os riscos na tomada de decisão pois conseguem comprovar hipóteses, as nativas analógicas arriscam muito mais do que as nativas digitais.

Dados são 15% mais valorizados nas empresas digitais

Tenho escutado em diversas empresas o discurso de que Dados são o novo petróleo. Porém o discurso e a prática não estão alinhados nas empresas analógicas. O resultado mostra que as empresas digitais valorizam os dados 15% mais que as empresas analógicas. Por que isso acontece?

Na afirmação, “os dados da minha empresa são gerados em todos os lugares e compartilhados entre todos os departamentos”, encontramos a pior avaliação das empresas analógicas em todos os 28 itens analisados. A avaliação é de 4,99.
Nesse item as nativas digitais têm uma avaliação 47,5% melhor. Essa diferença está ligada a capacidade das empresas digitais em gerar e comunicar seus dados de uma maneira muito melhor que as empresas analógicas.

Aqui existe um problema antigo de empresas grandes: a comunicação. A estrutura verticalizada tradicional acaba criando bolhas que segregam os departamentos – já se deparou com aquela situação que o mesmo trabalho está sendo realizado por dois em duplicidade?

A documentação e criação de processos para troca de informação se torna crucial, principalmente pela quantidade massiva de dados que são gerados e coletados a cada dia. Cruzar os conhecimentos gerados por eles pode abrir a visão para muitas oportunidades, além de, claro, reduzir custos desnecessários.

Outra afirmação importante do estudo é “em minha empresa, os dados são além de ferramentas de gerenciamento de processos. São ativos intangíveis e importantes para a criação de valor”, encontramos outro cenário bem discrepante. A diferença entre nativas analógicas e nativas digitais é de 22%.

Com essas duas afirmações importantes percebemos que o discurso de algumas empresas nativas analógicas em relação a importância dos dados é realmente só discurso. Quanto mais elas demoram para entender que dados são ativos intangíveis que têm a capacidade de gerar valor, mais irrelevantes elas se tornaram para nossa sociedade. 

Criar uma boa arquitetura de dados pode gerar um ROI (Retorno de Investimento) significativo: em um caso de uma empresa bancária, gerou mais de US$ 500 milhões anuais de retorno financeiro. (Fonte: McKinsey)

O estudo do Genoma

O principal objetivo do Genoma é auxiliar nossas empresas parceiras  a direcionar os esforços para ações de desenvolvimento de pessoas, projetos e cultura que as levarão para o próximo nível da Transformação Digital. 

Em breve lançaremos um relatório completo com uma análise dos dados para trazer um panorama do mercado e insights que podem ajudar mais empresas que se encontram nesse desafio de inovar e se reinventar.

Você pode reservar sua cópia do Relatório e fazer seu próprio diagnóstico aqui.

O Conquerlabs é uma unidade de negócios da Escola Conquer e nosso propósito é acelerar a Transformação Digital e Inovação nas empresas brasileiras para gerar impacto positivo de todo país. Vamos juntos?